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Alunas lançam campanha de arrecadação de absorventes

Alunas e professoras da Unidade Betim posam ao redor de uma caixa localizada ao centro da foto, onde se lê 'campanha do absorvente', e diversos pacotes em cima de uma mesa, ao fundo, com absorventes preparados para doações

Um grupo de estudantes da 1.ª Série/EM do Colégio Santa Maria Minas – Unidade Betim lançou, no início do mês de agosto, uma campanha de arrecadação de absorventes, junto à comunidade educativa. As alunas Gabriela Aender Mesquita Reis, Gabriela de Lima Ruas Fernandes, Larissa Furlan Ferreira de Abreu, Maria Clara Bastos do Amaral Fonseca e Maria Clara de Souza Graças, responsáveis pela campanha, já arrecadaram mais de 400 pacotes do item, que serão doados a uma escola pública do município, no mês de setembro.

A ação partiu de um projeto de investigação científica desenvolvido na Unidade Betim, durante as aulas de Iniciação Científica e Comunicação Criativa e Mídias, quando as estudantes pesquisaram sobre educação sexual. Elas optaram por investigar a pobreza menstrual no país, a partir da análise da pesquisa “Pobreza Menstrual no Brasil: Desigualdade e Violações de Direitos”, lançada em 2021 pelo Fundo de População das Nações Unidas e pelo Unicef.

De acordo com o estudo, no Brasil, 4 milhões de meninas sofrem com ao menos uma privação de higiene nas escolas, o que inclui a falta de acesso a absorventes. Dessas, quase 200 mil não possuem condições mínimas para cuidar da menstruação na escola. “Foi alarmante descobrir que uma em cada quatro garotas não possuem acesso a nenhum produto de higiene menstrual, utilizando pedaço de pano, jornal e até mesmo miolo de pão, para conter o fluxo menstrual”, destaca Gabriela Aender.

A estudante explica que, após a análise dos dados, o grupo decidiu criar a campanha. “Mas, não imaginamos que teria tanta visibilidade. É gratificante ver as doações chegando, pois se trata de um tema tão importante”. Gabriela Aender acrescenta que projetos escolares como esse contribuem para ampliar o olhar crítico estudantil, contribuindo para formação de uma sociedade melhor, mais humana. “É olhar a sociedade como um todo, olhar para a coletividade, para o planeta”.

Novo Ensino Médio

Uma das coordenadoras do projeto, professora Graciele Batista Gonzaga, informa que o trabalho interdisciplinar nasceu da busca por ações de engajamento juvenil, proposto pelo novo modelo de Ensino Médio. “Partindo de três eixos estruturantes do Novo Ensino Médio – a investigação científica, os processos criativos e a mediação e intervenção sociocultural -, idealizamos um projeto que impulsionasse os estudantes a pensar em problemas sociais, de investigação cientifica”, explica.

O trabalho incentivou o protagonismo juvenil, por meio de um processo de problematização de uma questão social, permitindo o debate em ambiente escolar, continua a professora. “Fiquei encantada com o protagonismo das alunas, que levaram a discussão para outras turmas do Colégio e criaram uma campanha tão importante. O projeto também desenvolveu habilidades socioemocionais, a empatia e a solidariedade”, acrescenta.